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Home Office: é adequado para a sua empresa?

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Home Office: é adequado para a sua empresa?

Quando era criança, lembro do meu pai chegar todos os dias do trabalho às 18:15. Ele era desenhista projetista na Volkswagen, na região do Grande ABC, em São Paulo. Durante os 21 anos que vivi com ele, não lembro de nem um único dia que ele passou em casa, deixando de ir trabalhar, seja pelo motivo que fosse – alguma doença, gripe ou greve (final dos anos 70 foi a época das greves dos metalúrgicos). Trabalhar de casa para o patrão não era muito comum nestes anos.

Passados mais de 40 anos, as coisas mudaram.

Durante os processos de recrutamento que levamos, é muito comum o candidato perguntar se a empresa tem regime de home office, termo americano para “escritório no lar (casa)”. Existem muitos candidatos que colocam o home office como requisito para as entrevistas.

Mas quais são os desafios para esta modalidade? Como sei se a minha empresa está preparada para disponibilizar home office?

Hoje em dia, está mais que comprovado que, em muitos casos, o home office traz grandes benefícios como evitar trânsito, portanto economizar tempo, dinheiro do combustível e manutenção do carro. Se o colaborador depende de transporte público, o home office impede muita dor de cabeça. A possibilidade de não se estressar é importante, porque, muitas vezes, presenciamos colaboradores chegarem realmente estressados depois de 1 ou 2 horas no engarrafamento. Estar mais perto da família, como acompanhar o crescimento dos filhos, ter uma vida mais saudável com a alimentação também são pontos importantes.

Num estudo levado pela Microsoft chamado de “Work Without Wall” (Trabalho Sem Paredes, em tradução livre), em que 4,523 trabalhadores que foram entrevistados em 2011, em 15 estados americanos, disseram que entre 50% (Los Angeles) e 64% (Seattle) das empresas já tinham política definida sobre trabalho em casa, indicando uma forte tendência para esta modalidade. Ainda acrescenta que 77% dos empregados de escritório confirmaram que a empresa dispunha de tecnologia que suportava trabalho remoto em home office.

Home office 1

Home office 2

Home office 3

O balanço entre as prioridades do trabalho e de casa arrecadou 19% como sendo o principal motivo do home office. E curiosamente, a necessidade de terminar o trabalho em casa, por não conseguir no trabalho teve 13%.

Mas existem desafios grandes neste tipo de trabalho. Nem todas as empresas estão maduras. O mesmo estudo mostra que as maiores reclamações de colegas de quem faz home office são dificuldade em falar cara a cara (43%), falta de resposta rápida (30%), barulho de fundo, como cachorro latindo, choro de criança (27%) entre outros como a impressão que trabalham menos (26%) e falta de focos (26%).

Tive oportunidade de conhecer empresas americanas que tem a maior parte da equipe comercial em home office, espalhadas pelos estados do território americano. Por outro lado, na Europa, onde vivi por décadas, até quando sai (2011), não era tão comum assim o home office. Alguns países como a Inglaterra estavam dando alguns passos, mas ainda de forma regional. Na Espanha, Portugal, França e Itália raramente era ouvido sobre o assunto.

Aqui no Brasil, no começo quando tentamos exercitar o home office, tivemos vários desgostos, como descobrir que o vendedor passava a tarde no shopping, ou mentia dizendo que estava numa ou noutra atividade e quando realmente não estava.

Atualmente, já com algumas lições aprendidas, a nossa experiência na Lattine, especificamente no departamento comercial, por exemplo, traz um cenário faseado, em que no primeiro ano é necessário que a vendedora esteja na empresa, onde será avaliada, formada, acompanhada e participará presencialmente de reuniões de resultados. Olhos nos olhos, conseguimos saber se ela está indo bem, se está engajada. E no segundo ano, quando sentimos que a colaboradora está voando sozinha, segura e desempenhando bem duas atividades, permitimos 1 ou 2 dias por semana de home office.

E está funcionando bem.

Constatamos a partir dos nossos mapas gerenciais baseados em Power BI que o desempenho diário da pessoa em home office melhora na ordem dos 17% nas atividades. A vendedora consegue gerenciar suas atividades, suas contas através do CRM Microsoft Dynamics 365 for Sales, onde todos os dados dos clientes são administrados. Outras ferramentas como Microsoft Office 365 Enterprise E3 permitem à ela estar conectada com o mundo, seja no PC, seja no smartphone, pois é uma suíte poderosa de aplicativos na nuvem, que podem ser facilmente acessados de qualquer ponto. Vários são os programas que ajudam no home office, como o Teams (que está substituindo o Skype for Business) ou o próprio Skype, que possibilitam comunicação estruturada e follow-up com outras áreas da Lattine (supervisão, pré-venda ou consultoria) e com os prospectos e clientes em ações comerciais. Com o Yammer, conseguimos propagar informações rápidas internamente para os vendedores, criando uma rede social interna, sem a necessidade de estarmos reunidos para transmitir alguma orientação ou novidade.

Atualmente, manter o foco na equipe com tantas distrações não é tarefa fácil. Manter o ritmo e incentivar, ao mesmo tempo, o entusiasmo na equipe de vendas em meio à tanta concorrência é desafiador. Por isso que, com uma boa dose de equilíbrio apoiada por ferramentas próprias de última geração, é possível aplicar um método mais flexível e sofisticado para manter a equipe engajada numa era mais moderna, independentemente de onde estejam trabalhando.


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